terça-feira, 27 de novembro de 2007

Na prática, internet no celular ainda é uma realidade distante

Aparentemente, a internet móvel está acontecendo. Temos aí o iPhone em toda a sua glória. Mais de 30 empresas se inscreveram na Open Handset Alliance, do Google, que pretende trazer o ambiente de desenvolvimento completamente aberto da internet para os aparelhos móveis. A Nokia, que controla quase 40% do mercado mundial de celulares, está abocanhando empresas de tecnologia de internet - fez uma oferta de US$ 8,1 bilhões para compra da Navteq, serviço de mapeamento digital. E existem ainda as empresas recém-abertas, em busca de mercado.

Tudo isso parece bom, mas as atividades no campo das comunicações sem fio parecem uma novela, oscilando sempre do mesmo modo que as quedas de sinal do seu celular.

Em 2000, acreditava-se que o protocolo de aplicação de comunicações sem fio traria a internet para o celular. Mas tudo acabou sendo só fogo de palha. Isso por causa da escassez de redes de dados de alta velocidade. Assim, o que se viu em seguida foi um frenético e dispendioso esforço para a criação de redes de terceira geração, as 3G.

Numa conferência recente, porém, essas redes foram consideradas um ''''fracasso'''' por Caroline Gabriel, analista da Rethink Research. Segundo Caroline, em 2007 os dados representaram apenas 12% da receita média por usuário, ficando muito longe dos esperados 50%. (Esses 12% não incluem mensagens de texto. Porém, você não precisa de uma rede 3G para enviar uma mensagem de texto.)

Ao mesmo tempo, pesquisas realizadas pelo Yankee Group mostraram que somente 13% dos usuários de celulares na América do Norte utilizam seus aparelhos para navegar na web mais de uma vez por mês, enquanto 70% dos usuários de computador pesquisam diariamente os websites.

''''A experiência do usuário tem sido um desastre'''', diz Tony Davis, sócio da Brightspark, empresa de capital de risco de Toronto, que investiu em duas empresas de internet móvel. Apesar de muitos celulares possuírem algum modo de acesso à internet, a sua utilização é difícil. Encontrar o lugar para digitar o endereço de um site pode ser um grande desafio. E, mesmo que se consiga digitar, grande parte do conteúdo não fica muito claro na tela.

Até o navegador do iPhone pode ser uma decepção. Ele possui uma versão do Apple Safaria, que não suporta a linguagem de programação Flash, usada amplamente pelos websites, de modo que os usuários ficam limitados quanto ao que podem ver na internet.

Lewis Ward, analista da International Data Corp., compara a internet móvel de hoje à America OnLine (AOL) antes de ter uma tarifa uniforme no início dos anos 90. Muitas pessoas navegam na internet usando o sistema de pagamento por kilobyte, o que as encoraja a navegarem o mais rápido possível, diz ele.

As operadoras parecem estar mudando de opinião quanto à internet móvel. A AT&T permitiu um controle extraordinário da Apple sobre a rede no iPhone, e a Sprint e a T-Mobile aderiram à plataforma de desenvolvimento Android, da Open Handset Alliance. Para observadores da indústria, uma vez iniciada, a internet móvel será inexoravelmente aberta nos próximos cinco anos, resolvendo muitos dos problemas atuais.

Atualmente, é grande a dificuldade de se encontrar coisas na web a partir de um celular. John SanGiovanni, fundador e vice-presidente de produtos e serviços da Zumobi, empresa que derivou da Microsoft Research, diz que espera facilitar isso. Em 14 de dezembro, ele vai lançar a versão teste do seu novo software de busca, que terá ''''ladrilhos'''' coloridos, dos quais os usuários podem entrar e sair rapidamente, quando passam de um website para outro. (Esses ladrilhos são semelhantes aos ''''widgets'''' do iPhone, ou os ícones no desktop do computador.)

Entre outras propostas para solucionar os problemas de navegação estão o Yahoo Go, um produto certificado para exibir corretamente as páginas do website em mais de 300 aparelhos móveis, e uma outra da InfoGIN, empresa israelense, cujo produto adapta automaticamente as páginas do website para os celulares. Mas, no momento, o uso generalizado da internet móvel continua ao mesmo tempo distante

por Michael Fitzgerald do site www.estadao.com.br

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